sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Que eu não perca o espanto

Novas são cada manhã; grande é a tua fidelidade. Lamentações 3:23


Algum tempo atrás estava conversando com um grande amigo, sobre livros que estávamos lendo que líamos e um monte coisas do dia-a-dia. Meu amigo me disse que estava lendo o “evangelho maltrapilho” do Brennan Manning e em um dos capítulos ele disse que um padre só pedia uma coisa em suas orações “Que ele nunca perca o espanto”.

Sinceramente quando ouvi isso fiquei um pouco espantado, e ele me explicou, pois a primeira coisa que me veio foi algo do tipo espantoso, de espamo, de medo e terror, meu amigo mui generoso vendo minha leve dificuldade em entender, olhou profundamente pra janela e disse “Que eu nunca perca o espanto de ver um pássaro numa obra”. E desde então peço isso a Deus (não consigo pedir só isso, ainda sou um tanto quanto limitado).

Eu não quero perder o espanto, de admirar o belo, de olhar para cada coisa, mesmo que sejam as mesmas coisas. Que eu não perca o espanto de minhas inquietações (algumas delas que eu armazeno nesse blog). Que eu não perca o espanto em ver um belo graffiti, uma obra de arte. Que eu não perca o espanto dos afagos apaixonados de minha esposa, o sorriso de minha filha, as piadas inesperadas de meu irmão, a irritabilidade de minha irmã.

Que eu não perca o espanto de ser surpreendido por Deus. Que eu não perca o espanto de sua bondade e fidelidade, que sua misericórdia sempre me deixe espantado. Que o espanto cerce minha amizade com esse Deus maravilhoso. Que eu sempre espanto com o quanto aquela rude cruz deve ter doido em sua, a coroa de espinho perfurado sua cabeça, os pregos as ofensas, o meu pecado. Que a cruz sempre me espante por tamanho amor.

Que o espírito Santo que me consola nunca me espante, em sua chegada em minha vida, que eu não perca o espanto de ser por Ele exortado, que o meu espanto nunca passe ao saber que a todo momento ele intercede por mim, pois eu mesmo não sei como chegar em oração corretamente junto ao Pai.

Que a maravilhosa graça sempre me espante, Que a cruz sempre me espante, e que as consolações e exortações sempre me espante.

Espanto... Espanto... Espanto. Sinceramente eu não posso perder o espanto.

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